A nova geração de rap carioca

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Musica | 15/08/2018 15:33:29

Anexo faltante

*Foto: Lucas Cellier – reprodução I Hate Flash

Convidamos o produtor de festas e DJ Felippe Augusto, vulgo Foxxx, pra passar a visão da cena musical do Rio de Janeiro. Além do 150BPM – que já falamos aqui – o rap está crescendo, e nada melhor que um carioca para falar sobre a cena. Confira agora no Portal KondZilla:

Recentemente, tivemos aqui no Rio de Janeiro o festival da Pirâmide Perdida que foi realizado no Circo Voador. O evento reuniu a nova geração do rap carioca em uma única festa, sediada pelo selo que tem o mesmo nome. A energia foi única, a sinergia entre público e artistas foi algo que deu o tom do show, que ainda contou com a presença do maior de todos: KL Jay, DJ dos Racionais Mc’s. Eu, como produtor de festas, gostaria de lembrar os acontecimentos que trouxeram ao evento de agora. Antes de mais nada, você pode conferir as fotos do evento para sentir energia dessa festa.


Reprodução: I Hate Flash

Me lembro bem, um certo dia em casa mexendo nas minhas pesquisas musicais e olhando o cenário do rap atual no Rio de Janeiro, me deparei com um grupo do Catete, bairro da zona sul do Rio de Janeiro que fica bem na divisa com o Centro da cidade, longe dos holofotes e do glamour que as nossas praias oferecem. Quem me apareceu era o Nectar Gang. Olhei esse grupo e pensei: “Ah, mais um grupo de rap”. Pois bem e ainda bem, eu estava redondamente enganado.

O Néctar veio lá do Catete, e pra quem não tá ligado, esse bairro é e sempre foi um celeiro do rap nacional. Marcelo D2, Filipe Ret e Akira Presidente são algumas figuras conhecidas desse berço musical. O lugar também já foi sede da nossa República, com o Palácio do Catete e tem aquele charme tradicional que a velha guarda carioca oferece, com os coroas jogando dominó nas mesas de bar e lojas comerciais.


Na foto, Bril, Bk e CHS. Ao fundo, Jxnvs formando o Néctar Gang – reprodução: I Hate Flash

Quando escutei pela primeira vez, eu desdenhei, mas depois de ver o corre dos rapazes, com muito suor e empenho para conseguir seu espaço no cenário, vi também que seus fãs compraram o barulho deles, falando seus jargões e colocando suas letras para jogo. Essa soma de elementos me mostraram que BK’, Jxnvs, CHS e Bril, tinham algo a mais. E como produtor de festas voltada para o gênero, foi proposto a mim e meus sócios de fazermos o lançamento da mixtape “Seguimos na Sombra”, em 2015. Decidi apostar.

A aposta no coletivo deu mais que certo. O evento aconteceu em um local onde cabiam aproximadamente 600 pessoas e o número total de frequentadores deu o dobro disso – bela aposta para um grupo novo. O mais impressionante da noite foi perceber como eles tinham força e poderiam ganhar o mundo.

Com o lançamento do “Seguimos da Sombra” (2016), o Néctar deslanchou e alcançou vôos altos. Juntamente com o selo que eles criaram, a Pirâmide Perdida, as portas começaram a se abrir de tal forma que arrisco dizer que nem os próprios rapazes imaginavam. BK’ foi um deles. Ele soltou um dos maiores lançamentos do rap nacional nos últimos anos, o álbum “Castelos e Ruínas” (2016).

Bril, personagem icônico do Bloco 7 (banca da rapaziada do Néctar, incluí além de artistas, uma galera envolvida na cultura hip-hop como grafiteiros, breakdancers, etc), também lançou seu álbum solo “Chefe Gordo“, produzido por Gee Rocha (Nx Zero) e Go Dassisti. Um álbum também que não deve nada ao que tem acontecido de bom no rap nacional. Esse álbum foi todo produzido em São Paulo, com participações do MC Cabelinho e de Don Cesão, da CEIA Ent, este ultimo um selo/bonde de São Paulo.

Enquanto isso, CHS e JXNVS, também chegam junto com seus lançamentos solos e paralelos. CHS tem um EP lançado recentemente, Chaos, e Jonas lançou o seu single. Você pode ver todos esses sons nas plataformas da Pirâmide Perdida.

Deu pra sacar que o grupo é foda e individualmente eles também se destacam. Voltando em março de 2017, a pedido do público, nós realizamos mais um evento com eles. Dessa vez, ousamos ainda mais e escolhemos o icônico Viaduto de Madureira para festa. Lá foi um dos primeiros espaços para a música negra em geral. Lá também é o reduto do baile charme, muito tradicional no Rio e agora abriu as portas para outros gêneros musicais como o Rap. Se você é do Rio e já foi, sabe do que estou falando, o local é responsa.

Esse foi um daqueles dias que eu, como produtor de evento, jamais vou me esquecer. Imaginem o cenários de caos armado, porque havia um tempo que o Néctar todo, por completo, não se reunia para um show inteiro com todos os seus clássicos.

As fotos desse evento icônico, que marcou todo um trabalho de pessoas que acreditam em uma cena, foi feita por Wilmore Oliveira. Se liguem um pouco como foi o show por esse link!


*Na foto, BK no Viaduto de Madureira

Eu, esse nobre entusiasta da cultura urbana em geral, acredito que eles ainda não chegaram no topo e sim estão trilhando um caminho de sucesso, que já chamou atenção de pessoas como MV Bill e Mano Brown.

Se vocês vierem um dia ao Rio de Janeiro, dêem uma chegada no Catete, não é lá um dos bairros mais bonitos, mas com certeza você encontrará qualidade musical. Não à toa, esse pico é um dos locais que mais respira a cultura e arte no Rio de Janeiro. Como já dizia a música do Nectar “É o Catete, a Glória e a Lapa/ O que tem na cerva dos caras?”.

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