Crítica mista: novo álbum “BITCH” de Lizzo divide opiniões
Lizzo lançou o álbum “BITCH” na sexta-feira, 05/06, e o trabalho provocou reações opostas entre críticos e parte do público. Enquanto algumas avaliações destacam o tom bem-humorado e a honestidade nas letras, outras apontam falta de coesão e esperavam um retorno mais contundente da artista.
O site Ratings Game Music elogiou o disco, dizendo que “BITCH” apresenta a cantora sem pedidos de desculpas, com faixas divertidas e cheias de personalidade. Segundo a publicação, o álbum trata de temas como romance, desilusões amorosas, amizade, traição e autoconfiança, trabalhando emoções cotidianas com humor e sinceridade. A crítica avaliou o conjunto como consistente, mantendo a energia e a marca pessoal de Lizzo mesmo em canções de tom mais sério.
Por outro lado, o Financial Times avaliou o álbum como um retorno aquém do esperado. A crítica argumenta que o título provocativo não se traduz em um disco vingativo ou dramático no estilo que se poderia comparar ao “Reputation” de Taylor Swift. O jornal descreve o trabalho como mais contido e atravessado por um “limbo”, sem comentar diretamente as controvérsias legais envolvendo a artista nem retomar a ousadia de lançamentos anteriores. O texto também aponta que a sonoridade passeia por pastiches de disco, soul e pop dos anos 80 — citando, por exemplo, a aproximação com Tina Turner em “Don’t Make Me Love U” —, mas sem trazer originalidade suficiente. A flauta, instrumento que Lizzo estudou na infância, aparece apenas em “Too Nice”, segundo a publicação.
O jornal The Guardian avaliou que o álbum tenta várias referências sonoras, indo de um tom próximo a Tame Impala em “Happy 2 Be” até passagens com guitarras à la The Cure em “She Stole My Man”. A crítica considera essa multiplicidade responsável por uma audição desconexa, e destaca que o clima otimista que marcou singles anteriores, como “About Damn Time” (2022), já não aparece com a mesma sintonia com o contexto atual — citando até a mudança de hábitos e medicamentos como Ozempic e Mounjaro como parte desse cenário. A faixa “A Toast” é mencionada como um dos poucos momentos reveladores do álbum.
Em contrapartida, a publicação Shatter the Standards enxerga em Lizzo uma compositora habilidosa ao retratar ciúme, obsessão e ressentimento. Para esse veículo, o diferencial do disco está na capacidade de manter o desconforto original dessas emoções, transformando sentimentos ásperos em canções eficazes, ao invés de recorrer apenas a grandes proclamações de amor-próprio.
Imagem: Imagem Divulgação
O álbum segue disponível nas plataformas e permanece alvo de debates entre admiradores e críticos, que apontam ao mesmo tempo qualidades e limitações na proposta sonora e lírica de Lizzo.
Com informações de Portalpopline