Saúde, Beleza e Bem-Estar

Atividade física após diagnóstico de câncer está associada a maior sobrevida, mostra estudo

21.05.2026 | Por: Gudyê KondZilla

Por Fernanda Bassette, da Agência Einstein
21/5/2026

Atividade física ligada a menor risco de morte entre sobreviventes de câncer

Uma análise que reuniu dados de seis grandes estudos de longo prazo indica que a prática de atividade física após o diagnóstico de câncer está associada a redução do risco de morte entre pacientes com diferentes tipos de tumor. A pesquisa, publicada em fevereiro no JAMA Network, avaliou mais de 17 mil sobreviventes de sete neoplasias: bexiga, endométrio, rim, pulmão, cavidade oral, ovário e reto.

Os pesquisadores compararam a quantidade de exercícios relatada antes e depois do diagnóstico, com medições feitas em média 2,8 anos após a detecção da doença. As análises foram ajustadas por fatores como idade, sexo, tabagismo e estágio do câncer. O padrão observado foi consistente: níveis mais elevados de atividade física se correlacionaram com menor mortalidade relacionada ao câncer.

A oncologista clínica Ana Paula Garcia Cardoso, do Einstein Hospital Israelita, afirmou que o estudo tem impacto direto na prática clínica e reforça a necessidade de abordar exercício físico durante consultas oncológicas. Segundo a médica, houve evidência de benefício especialmente em tumores de pulmão, endométrio, bexiga e ovário — áreas em que até então havia menos dados concretos.

O trabalho também mostrou que pacientes que eram sedentários antes do diagnóstico e passaram a se exercitar depois apresentaram redução significativa no risco de morte, com destaque para os cânceres de pulmão e reto. “Muitos acham que, se não começaram antes, não vale mais a pena. Mas os resultados do estudo mostram o contrário”, disse Cardoso.

Os efeitos variaram conforme o tipo de tumor: a associação protetora foi mais consistente em pulmão, endométrio, bexiga e ovário. Em neoplasias da cavidade oral e do reto, o impacto positivo foi mais evidente entre quem manteve níveis maiores de atividade física após o diagnóstico. Os autores ressaltam que a magnitude do benefício difere entre tumores e deve ser interpretada com cautela.

Imagem: NEMANJA M

A Organização Mundial da Saúde recomenda pelo menos 150 minutos semanais de atividade moderada a vigorosa, mas o estudo aponta que quantidades menores de movimento já se associaram a redução da mortalidade para alguns cânceres. As atividades analisadas foram principalmente aeróbicas — como caminhada, bicicleta ou exercícios leves — e o trabalho não comparou diretamente diferentes modalidades.

Cardoso enfatiza que não existe um “mínimo obrigatório” e que qualquer movimento pode trazer benefícios, orientando começar devagar, por exemplo cerca de 15 minutos diários, respeitando as condições clínicas e com orientação profissional. O estudo reforça que a adoção da atividade física pode ser benéfica mesmo quando iniciada após o diagnóstico.

Com informações de Fitnessbrasil

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