Colorir pode reduzir estresse e ansiedade e funciona como ancoragem mental, diz artigo
A publicação ressalta que a prática de colorir, tradicionalmente associada à infância, tem ganhado atenção entre adultos por seus efeitos calmantes. Em artigo na Forbes, o autor observa que, ao segurar lápis de cor e focar em um desenho, o cérebro muda seu padrão de funcionamento e a atividade pode interromper ciclos de ruminação.
Segundo o texto, muitas pessoas ficam presas em um padrão de pensamento repetitivo: tentam solucionar um problema, não conseguem, retornam constantemente ao mesmo tema e passam a experimentar angústia. Enquanto isso, permanecem com a mente ativada e faturam sintomas como estresse e ansiedade. A prática de colorir atua como uma espécie de botão que quebra esse circuito.
O artigo destaca elementos que tornam a atividade benéfica: o movimento repetitivo das mãos, a escolha das cores e o foco exigido pelo preenchimento das formas. Essas características, de acordo com o autor, aproximam a experiência de estados semelhantes à meditação. Estudos citados no texto indicam que apenas 20 minutos já são suficientes para reduzir níveis de estresse e ansiedade de forma significativa.
Outro ponto lembrado é que colorir não cobra desempenho nem preparo técnico. Diferentes pessoas que pintam o mesmo desenho tendem a optar por paletas distintas, e o ato de preencher os espaços pode proporcionar alívio justamente por não envolver julgamentos ou metas externas. Essa ausência de exigência difere de muitas atividades adultas, em que a busca por resultado costuma prevalecer.
O autor também aproxima a prática de outras estratégias de saúde mental, como meditação e relaxamento guiado, que visam desacelerar o fluxo de pensamentos e ancorar a atenção no presente. Com isso, ao concentrar-se no lápis e no papel, torna-se menos provável permanecer remoendo preocupações.
Imagem: Getty Images
O texto observa ainda que o interesse de adultos por colorir voltou a crescer e que livros de colorir para esse público voltaram a ocupar espaço nas livrarias. Como sugestão prática, o autor propõe reservar 20 minutos por dia, escolher um desenho (muitas opções gratuitas estão disponíveis para impressão na internet), afastar o celular e permitir que o cérebro descanse, sem pressa ou metas.
Dr. Arthur Guerra é professor da Faculdade de Medicina da USP, da Faculdade de Medicina do ABC e cofundador da Caliandra Saúde Mental.
Com informações de Forbes