Uma aula de baile funk com GrandMaster Raphael
Créditos: Cortesia RedBull - Patrícia Araújo / Red Bull Content Pool
- Por Renato Martins

Uma aula de baile funk com GrandMaster Raphael

Aconteceu no dia 02 de junho, no Red Bull Station, em São Paulo, a palestra com o dj e produtor carioca GrandMaster Raphael. O evento faz parte da programação do Red Bull Music Academy São Paulo 2017 – confira a programação completa por este link. Na palestra, o produtor fez comentários e contou a história do funk, que vem desde os anos 80, nos bailes cariocas, até o momento atual. Com convidados, músicas e um papo muito divertido, o Portal KondZilla compareceu e conta um pouco mais do evento aqui.

O evento começou pontualmente às 19h15, com a introdução do produtor Akin. Em seguida, o jornalista Silvio Essigner, autor do livro “Batidão: uma história do funk”, foi pontuando os principais momentos da evolução do funk carioca, para que o convidado da noite, GrandMaster Raphael, pudesse contar com detalhes a trajetória da vertente ao passar dos anos. A plateia estava cheia, e algumas pessoas assistiram ao evento de pé, no canto da sala, que atingiu a lotação máxima do local. Também estavam presentes amigos e convidados que vieram direto do Rio de Janeiro para assistir ao evento, como: Sany Pitbull, MC Gallo, MC Paulão, Dj Fábio e a equipe “Eu Amo Baile Funk”. Essa parte do papo, pode ser vista no vídeo acima.

O funk carioca é um movimento que teve origem nos morros cariocas e bailes da capital fluminense. Influenciado diretamente pelo Miami Bass e sons da Flórida, o funk se tornou brasileiro a partir do momento em que os produtores nacionais começaram a criar as músicas e letras, muito disso por terem a disposição uma bateria eletrônica para produzir as batidas. O principal equipamento do movimento americano era o “Holland 808”, que era de difícil acesso para os produtores cariocas. Assim, eles tiveram que se adaptar com equipamentos que dispunham na época, como o mixer NUMARK-PPD, que poderia gravar pequenos trechos da música internamente. Assim que surgiram as primeiras montagens, segundo GrandMaster.

No papo que rolou na segunda parte da palestra, Raphael comentou que no início do movimento, a qualidade inferior das produções cariocas eram notáveis em comparação as músicas importadas, muito disso por conta da falta de acesso a informação sobre produção, mixagem, masterização e também aos equipamentos de produção – como os kits de instrumentos que vêm juntos com cada bateria.

GrandMaster conta que o movimento do ‘baile funk’ como conhecemos, surgiu a partir do momento que os deejays e o público começaram a consumir mais músicas cantadas em português e produzidas pelos cariocas, mesmo que de forma ainda arcaica.

Outro momento que o produtor contou foi sobre os “Festivais de Galera”, que aconteceram no começo da década dos anos 90 e introduziu diversos talentos no funk carioca, como o MC Gallo. Raphael contou a história por trás da música “A Rocinha Pede a Paz”.

Na época, os bailes enfrentavam uma onda de violência, no qual o estado começou a intervir e foi quando o funk saiu do asfalto e voltou para os morros. A música acima, foi a vencedora de um dos festivais da época, em que o tema era sobre a paz nos bailes. MC Gallo, que estava presente na palestra, teve o prazer de cantar para o público a música. A importância dos festivais ajudou a mostrar a realidade da vida do público com letras do cotidiano. Junto disso, o público começou a se ver em cima do palco, com a alternativa de uma vida melhor cantando. Isso dava orgulho e oportunidade para todos, pois a cadeia de trabalho no mercado musical era grande. Raphael lembrou que, quando os MCs começaram a ganhar destaque, também surgiu a profissão de produtor musical, DJ de MC, motorista, produtor, empresário, dançarinas e por aí vai.

O mais interessante ao analisar toda a história do funk carioca, é observar que os problemas, geralmente, são as causas para inovar. Na hora, todo mundo fica assustado, porém, o tempo mostra que são nesses momentos que surgem as novidades. Gallo foi um exemplo disso. Se havia violência, precisava de música pedindo paz. Quando o funk voltou pro morro, Rapahel disse que “isso trouxe vida para a música”, pois o som estava de volta a comunidade. Quando o público já estava cansado do Miami Bass e o som não agradava tanto os cariocas, surgiu o tamborzão – a batida original do funk carioca. A dificuldade de encontrar o Roland TR-808 não fez os cariocas pararem. Descobriram que dava pra gravar por mixers alguns segundos de sample, e o NUMARK PPD e o GEMINI PDM-700 caíram no gosto dos deejays que abusavam das montagens ao vivo.

Dentre as diversas curiosidades que Raphael contou no evento, uma delas foi a apresentação do MC Paulão, que poucos reconheciam, mas só de ouvir a primeira fala no microfone, todo o público reconheceu. Ele é a voz da música “Ah, eu tô maluco”.

Na trajetória do funk carioca, a história já estava no final dos anos 2000, quando Raphael contou como o movimento entrou na Baixada Santista e depois se espalhou por São Paulo. Nesse momento, o produtor destaca que os cariocas acabaram utilizando a mesma fórmula de produção ao excesso, o que cansou o público e deu abertura para a capital paulista.

Por fim, o evento foi aberto às perguntas ao público, e cito duas que chamaram a atenção: a primeira seria a origem do nome GrandMaster. O produtor falou que a mudança ocorreu porque havia outro “Dj Rafael” e, seguindo a dica da equipe que trabalhava, mudou para GrandMaster. À época, ele explica que o nome “Grande Mestre” teve um peso, mas que agora, ao longo dos 30 anos de carreira, se sente mais confortável. A segunda, feita pela aspirante a DJ e produtora Carol Ribeiro, foi sobre as mulheres no funk. Raphael adorou a pergunta e disse que sempre existiu mulheres no funk, lembrando da MC Jaqueline e também do álbum Funk Girls (1991), que depois continuou com Tati Quebra-Barraco, Deize Tigrona, Valesca Popozuda e afins. Mas Carol foi enfática ao perguntar também sobre as produtoras mulheres, no qual Raphael também se mostrou surpreso porque não se lembrava de nenhuma e achou isso estranho, aproveitando para dar dicas a garota que quer se jogar nesse universo de produção musical.

Confira mais fotos do evento na galeria abaixo:

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