Um papo sobre representatividade na publicidade
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- Por Redação

Um papo sobre representatividade na publicidade

Diversidade e representatividade são assuntos muito sérios. A falta de diversidade em espaços é cada vez mais questionada, independente de qual espaço seja. Durante muitos e muitos anos, a publicidade sempre nos vendeu exemplos de situações e pessoas padrões, como aqueles comerciais de margarina que mostra uma família inteira branca com os pais sendo representados por uma mulher e um homem e por aí vai. Aos poucos, isso tem mudado, e o Portal KondZilla falou com três influenciadores sobre o assunto. Se liga:

Ver um semelhante em um lugar que você nunca imaginou que estaria é algo surreal, e poder ser essa pessoa representando os seus é um sentimento indescritível. Sinara Assunção é uma das pessoas que já passou por isso.

Produtora, modelo plus size e DJ, Sinara é cria de Belém do Pará, tem 26 anos, e começou a carreira de modelo enquanto estava cursando Publicidade e Propaganda. “Precisei fazer um trabalho em que a gente não tinha modelo e nem tempo pra correr atrás de alguém. Acabou que eu fui  cobaia e depois desse trabalho, alguns amigos que estavam começando na fotografia me chamaram pra ensaios e eu peguei gosto pela coisa”, conta Sinara. 

Sinara continuou fazendo trampos como modelo por hobbie até começar a receber mais reconhecimento e ser modelo se tornar sua principal profissão. “Minha experiências com marcas sempre são uma surpresa. Quando recebi o convite para trabalhar com o banco Next, que veio pela Humanz, fiquei muito honrada porque fui enxergada não só como preta e gorda, minha sexualidade foi enxergada. Eu participei da campanha em comemoração do Dia do Orgulho LGBTQIA+, tive minha bissexualidade reconhecida, e isso é muito bom porque bissexuais são invisibilizados o tempo todo. Foi muito especial estar representando muitas mulheres negras e gordas que não se veem nesses espaços e não se enxergam tendo tamanha visibilidade”, comenta Sinara. 

Além de ser importante investir na diversidade, também é muito importante que marcas apostem em influencers. “Entendo que é muito importante o alcance que alguns produtores de conteúdos têm, mas os que não tem tanto assim também merecem e precisam estar nesses espaços para que alcance outras pessoas, se torne mais palpável e aproxime mais as pessoas das marcas”, diz Sinara.

Influenciador da inclusão, o potiguar Ivan Baron também acredita na publicidade. Ivan começou a produzir conteúdo em 2018 por meio de vídeos de humor. “No auge dos movimentos políticos de 2018, eu sentia saudade de ver gente falando sobre capacitismo, isso me incomodou bastante e me fez pesquisar mais sobre na internet. Conheci o termo capacitismo, mesmo já sabendo o que era o preconceito e a exclusão, não sabia que existia um termo pra isso. Comecei a ensinar sobre o assunto em vídeos, além de dividir as minhas vivências”, comenta Ivan.

Baron se consagrou como influenciador em 2020, quando, por conta da pandemia, passou a criar mais conteúdos online e buscar apoio na publicidade. Com o crescimento, ele fez um trabalho com a Universidade Potiguar em novembro do mesmo ano. “Não me sentia representado nesses espaços, sempre via uma diversidade seletiva. As marcas precisam entender que PCDs (pessoas com deficiências) são consumidores também e precisam se sentir reconhecidas. É importante que as marcas se abram cada vez mais. Ficamos invisíveis por muito tempo. Representatividade é muito importante”.

Aline e Alessandra Ayabá são mulheres negras e sapatonas da quebrada do Capão Redondo, zona sul de São Paulo. As duas criaram a página Maternidade Sapatão no Instagram, porque viam a necessidade de ter mais gente falando sobre isso e pelo feedback que elas recebiam em seus perfis pessoais. Na página, elas compartilham mais sobre suas vivências como mães.

“A gente tinha o desejo de ser mãe e fomos atrás desse corre. Conseguimos a ovodoação, um procedimento filantrópico feito por clínicas de reprodução humana em que uma mulher doa os óvulos ou pra parceira ou pra uma paciente anônima. Conseguimos levar a quebrada pra esse espaço e mostramos para as pessoas que é possível chegar em uma clínica de reprodução humana, de conseguir pelo sus, de fazer uma fertilização caseira”, comenta Aline.

“Recebemos muitas mensagens de minas pretas, sapatões de quebrada que já tinham desistido da maternidade, mas que voltaram a sonhar com isso. Isso é muito importante pra nós”. 

As duas criaram a página em janeiro deste ano e já conseguiram 13 mil seguidores e já estão trabalhando com marcas. “Estamos mostrando esse corre e está dando muito certo. Já está ecoando, mesmo com toda a correria da maternidade”, diz Aline.

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