Um papo sobre a importância de ter minas estudando o movimento funk
Créditos: Reprodução
- Por Gabriela Ferreira

Um papo sobre a importância de ter minas estudando o movimento funk

Tem mina cantando, produzindo e tem mina pesquisando funk sim! Recentemente nós falamos com a Tamiris Coutinho, que tirou um dez bem lindo com o TCC “Cai de Boca no Meu Bucetão: Uma análise do funk como potência do empoderamento feminino”. Ela é uma das minas que estuda o movimento dentro do coletivo Funk no Poder. Hoje nós do Portal KondZilla trocamos uma ideia com a escritora Juliana Bragança para entender mais sobre a importância de ter mais mulheres levando o funk pra Academia. Pega a visão:

O funk já tem 30 anos e alguns meses, e mesmo depois de todo esse tempo, ainda vivemos num espaço mais masculino do que feminino. Pode reparar no tanto de MC homem que é famoso, e em quantas minas existem cantando e produzindo na cena. Isso, na real, nem é culpa do funk. Em milhares de outros espaços, as mulheres são minoria. “Como assim minoria, se eu vejo várias minas nos bailes?”. Bom, vamos começar explicando o que é uma minoria social: essas minorias são grupos de pessoas que não estão incluídas no processo de socialização. E isso se caracteriza de várias formas, como na falta de oportunidade de trampo, e coisas do tipo. 

Falando do mercado musical, apenas 30% dessa indústria é mina, o resto é tudo homem. Isso quer dizer que tem mais homens tomando decisões. Isso, 99% das vezes, significa que a maior parte dessas decisões beneficiam mais homens do que mulheres, já que, na maior parte das vezes, falta uma visão feminina pra ajudar a pautar os passos da indústria.

No funk, isso não é diferente. “O nosso movimento é majoritariamente masculino. Feito mais por homens e as mulheres que mais se destacam nesse meio são as que cantam putaria. Claro que nós vamos além disso, não tem só mulheres no funk putaria, e nem todas cantam putaria. Então é importante a gente trazer esse olhar enquanto mulher”, explica a escritora Juliana Bragança, que estuda o funk desde 2010 e é integrante do coletivo Funk no Poder, que luta pela descriminalização do funk e pelo reconhecimento do Dia Nacional do Movimento e da Cultura Funk. 

É normal ser mina, falar que curte funk e ser questionada do porquê apoiar um gênero musical tão machista. Ainda hoje, essa é uma das principais críticas da galera ao funk, como se esse fosse o único ritmo da história que nem sempre valoriza as mulheres. “Muita gente diz que o funk menospreza as mulheres, e não é bem assim. Óbvio que tem músicas que não nos valorizam porque, assim como toda produção cultural, o funk é um reflexo da nossa sociedade, e a sociedade é machista”, disse Juliana.

“É esperado que o funk reproduza esses discursos, mas muitas das mulheres que estão no funk estão expressando uma liberdade nunca vista antes. Não só a liberdade sexual, mas a financeira, além de vários ideais feministas, como a autoestima, o não ao relacionamento abusivo. Temos vários exemplos disso: Tati Quebra Barraco, MC Cacau, Deize Tigrona, MC Dandara, MC Carol, MC Rebecca e a Anitta, que é a maior figura do funk”, continua.

É importante ter esses pontos de vistas em outros lugares além dos palcos e dos bastidores da indústria, como na Academia, pra ajudar a lutar contra o preconceito que o funk sofre em diversos espaços. Dentro do coletivo Funk no Poder, além de Juliana Bragança e Tamiris Coutinho, outras minas também estão estudando o movimento: Ingra, Jaciara Gomes, Ludmylla Gonçalves, Verônica Raal, Thaynah Gutierrez e Juliana Lessa. “Estarmos estudando o funk, é um passo para superarmos os preconceitos”, enfatiza a escritora.

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