“Todos que falavam que eu não conseguiria, hoje me perguntam como eu consegui”, diz Wesley Lopes
Créditos: Acervo Pessoal
- Por Redação

“Todos que falavam que eu não conseguiria, hoje me perguntam como eu consegui”, diz Wesley Lopes

No Conte Aqui Sua História de Hoje, projeto da KondZilla em que você aparece no Portal contando sua história de vida, quem chega pra passar a visão é o Wesley Lopes. Ele sempre sonhou em cursar a universidade, sofreu racismo, foi desacreditado, saiu da quebrada, sonha em estudar fora e quer usar seu corre pra inspirar a molecada a não desistir. Chega mais.

“Encaminho por meio deste a minha história de superação, espero que gostem rsrs.Me chamo Wesley Lopes e tenho 22 anos. Nasci em Embu das Artes, Zona Sul da cidade de São Paulo, próximo a periferia.

Nunca fui rico, e sempre vi o esforço dos meus pais em me proporcionar o melhor estudo sempre, bem como eles me diziam: “Trabalhamos muito, investimos caro para você crescer e ser alguém importante”. Meu pai é soldador e recentemente começou a investir no ramo imobiliário, e minha mãe é babá.

Quando eu era menor, eu estudava em um colégio e a gente sofreu um golpe desse colégio. Eles se juntaram com uma agência e deram o golpe em várias famílias. Comecei a ficar com isso na cabeça e eu não queria que pessoas humildes que nem minha família tivessem uma perda grande de dinheiro. Eu queria ajudar as pessoas de alguma forma e optei por fazer Direito.

Logo quando iniciei meus estudos na universidade de Direito senti enorme pressão e discriminação por ser negro e não morar em bairro nobre, estando rodeado de pessoas de classe alta em minha turma e chegando a ouvir frases como: “você vai desistir no início do curso”, “nunca será um advogado, negros não são bons nisso”. Sim, escutei coisas assim no curso!

Na primeira entrevista de estágio fui surpreendido com uma das coisas mais nojentas que vivi: o racismo! Em um dos maiores escritórios de advocacia brasileira! Eles não disfarçavam o olhar negativo de surpresa quando souberam que aquele estudante que falavam no telefone era o mesmo que estava ali na frente deles, um estudante negro na frente de dois sócios brancos e rodeado de uns 50 funcionários, nenhum negro.

O resultado não foi outro: NÃO PASSEI!

Eu tinha um objetivo e não poderia perdê-lo: queria mudar a vida das pessoas ao meu redor, não poderia deixar que o ódio e o preconceito me desanimassem.

Me juntei com alguns amigos e criamos um projeto chamado “Missão AME“, no qual, atualmente, visitamos em torno de 9 comunidades no Estado de São Paulo, levando alimentos, brinquedos e, acima de tudo, amor! Vamos fantasiados de personagens infantis e damos o que a maioria das crianças não possuem naqueles ambientes: alegria.

Depois de muito lutar, ano passado consegui realizar um dos maiores sonhos, mesmo não sendo formado ainda. Sai, junto com a equipe em que trabalhava, em uma revista estando entre o corpo jurídico mais admirado do país em 2019.

Desde criança sempre fui viciado em séries e filmes, e as que eu mais gostava eram todas americanas, e eu via que o pessoal das universidades queriam sempre o melhor e comecei a pensar que queria isso pra mim. Aí eu cresci, entrei na faculdade e conheci uma professora que me incentivou muito a ser melhor. Graças a isso, tentei um curso no exterior e passei. Então no início desse ano, fui pra Londres, na Inglaterra, estudar mais sobre mercado internacional e aprimorar meu inglês. Dividi a viagem pra pagar em dois anos, mas consegui.

Atualmente, no meio desse caos, estou concorrendo a uma bolsa de estudos para um Mestrado, na Hult, universidade de negócios, em Boston, Estados Unidos. Voltando pro Brasil, pretendo dar aula. Quero estudar lá pra mostrar que somos capazes de ir longe.

Por fim, sendo bem sincero, o que eu mais gosto é de ver o olhar de orgulho de meus pais em saber que o investimento, as horas a mais trabalhadas para pagar os meus cursos, valeram a pena e que eles estão felizes com isso!

Eu olho pra tudo que me acontece e vejo que não é normal uma pessoa de comunidade, preta e pobre conseguir evoluir. Ninguém ensina e nem incentiva a gente a ir além. Eu quero mostrar que dá sim, e as pessoas muitas vezes só não sabem como.

Obs: Todos aqueles que falavam que eu não conseguiria no início de tudo, hoje me perguntam como eu conquistei tudo o que tenho!”

Wesley não deixou que os obstáculos o parassem e hoje quer servir de inspiração. Se identificou com a história dele? Manda a sua pra gente no e-mail conteaquisuahistoria@kondzilla.com, com suas fotos, redes sociais e contato pra gente te mandar uma ideia no zap.

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