"Todos os dias eu mato um leão para sobreviver e por incrível que pareça eu jamais abaixo a cabeça", diz Igor Bastos

Autor: Redação

Fotos por: Acervo Pessoal

Conte aqui sua historia | 21/02/2020 11:23:59

Anexo faltante

Sexta-feira pré-carnaval e hoje quem aparece aqui no Conte Aqui Sua História é o Igor Bastos, que mostra como apesar de todos os problemas da vida, podemos seguir de cabeça erguida.

“Olá me chamo Igor Bastos, Moro em Belém do Pará e tenho 28 Anos.Tudo começou no dia em que minha família veio do Ceará, lugar bem longe daqui e bem pobre mesmo. Meu pai quase nasceu no meio do mato. Naquele tempo não tinha muita tecnologia e foi assim a vida sofrida deles.

Minha vó decidiu vir para Belém do Pará junto com meu avô e aqui eles compraram uma casa. Meu pai e o irmão trabalhando desde cedo para levar o que comer para a casa, e nesse meio meu pai foi crescendo e conheceu minha mãe. Ela engravidou de mim e meu pai teve que assumir ela.

Eles foram felizes por pouco tempo. Quando eu nasci já começou o sofrimento, brigas desconfianças. Com 2 anos mais ou menos, fui brincar no quintal de casa e acabei me queimando. Passei 1 mês com a mão cheia de pus e eu chorava de dor no berço. Minha avó foi fazer uma visita, lá ela viu meu sofrimento e entendeu que se não me levasse dali eu poderia morrer.

Foi quando outra etapa da minha vida se inicia. Minha mãe me deu para minha avó, mas nem tudo é um mar de rosas, começo uma nova fase de vida, mas como nem tudo é mar de rosas eu fiquei asma e pneumonia e fiquei fraco parando no hospital.

Chegando lá minha avó ouviu da boca do médico que deveria me internar se não eu poderia morrer das complicações da minha saúde. Minha avó não teve escolha e decidiu me internar. Quando pude voltar pra cada sa minha vó voltei pra escola. E no segundo ano do ensino médio arrumei um trampo.

Saí de lá e fiquei estagnado parado sem saber oque fazer eu não tinha mais vontade de estudar e nem de fazer, mais nada. Depois trabalhei em uma sucataria onde aprendi o real valor do trabalho duro e pesado. Saí de lá também nada dava certo. Após tudo isso decidi morar com minha mãe depois de grande eu pensei sabe lá se ela mudou.

Chegando lá me deparo com minha mãe viciada em álcool e outras coisas. A vida lá foi um inferno, jogavam na minha cara todo dia as mesmas coisas, briga com o marido dela, eles quebravam tudo e eu minhas irmãs víamos tudo. A vida foi foda lá, tiroteio quase todas as noites gente morta no canto da rua e polícias em confronto contra o tráfico. Para ficar melhor eu discuto com ela um dia antes de eu ter que tomar minha decisão real da vida. Ela tentou me matar com um espeto de churrasco que graças a Deus tinha um homem para segurar ela. Eu pensei que ia morrer naquele dia mas Deus foi mais.

No outro dia eu saio de casa de manhã cedo e vou com apenas 25 reais no bolso para a casa do meu pai. Eu falei que não tinha para onde ir porque minha mãe tava viciada e tentou me matar e ele mandou eu voltar pra lá.

Eu olhando pra ele já com tudo aquilo na cabeça eu começo a chorar e eu ali começava a desistir de mim mesmo. Foi quando ele disse ‘entra bora dar um jeito’. Eu fiquei lá 6 meses depois voltei pra casa da minha avó. Resumindo minha história hoje me encontro em uma casa onde moram 8 pessoas incluindo eu.

Durmo em uma rede em um espaço pequeno quando chove alaga tudo a água bate quase no joelho. Risco de eu ou minha família pegar uma doença. Mas vamos levando do jeito que dá. Hoje eu trabalho vendendo cosméticos nas ruas pra me sustentar e ajudar as vezes na comida.

Tenho uma mesa, um caderno, espelho e uma caneta onde escrevo minhas músicas de funk e tenho o sonho de ser um MC de sucesso. Todos os dias eu mato um leão para sobreviver e por incrível que pareça eu jamais abaixo a cabeça e deixo as adversidades me abaterem. Sou um ser humano com falhas mas procuro melhorar todos dias. Eu tenho um sonho!

O funk está mudando minha vida. Eu vivo minha realidade de batalha mas sempre vendo meu futuro que um dia vai dar muito certo. Funk é sonhar cada dia mais!”.

Apesar de todas as dificuldades, Igor segue firme e forte na raça para vencer na vida e se tornar um funkeiro de sucesso. Quer nos contar seu corre? Manda pra gente no email conteaquisuahistoria@kondzilla.com e não esqueça de mandar o número do seu celular, fotos e suas redes sociais.

 

O quê você
procura?