Tem lésbica no funk sim! Conheça a história da MC Mano Feu
Créditos: Gabs Eiffer
- Por Gabriela Ferreira

Tem lésbica no funk sim! Conheça a história da MC Mano Feu

Diretamente do interior de São Paulo, MC Mano Feu está no corre para abrir espaços para os LGBTQIA+ no funk, principalmente, para as minas lésbicas. A funkeira acaba de lançar o videoclipe de “Linguadinha na XXT” e conversou com o Portal KondZilla sobre sua caminhada. 

Apesar de ainda ser um movimento com mais homens héteros, o funk tem sido cada vez mais ocupado pelo pessoal que foge disso, como é o caso de Pepita, Lia Clark, MC Dricka, Yuri Gabe, e muitos outros artistas e coletivos que reforçam a diversidade sexual e de gênero.

MC Mano Feu faz parte dessa galera e quer cantar pelas sapatões. “Comecei a escrever poesia desde pequena e tive contato com o funk na quebrada que eu morava. Minha família é do samba e tinha preconceito com o funk, mas decidi me jogar”, relembra Mano Feu sobre o começo no funk. 

Imagem: Bella Tozini

O corre no funk não é fácil, principalmente pra quem tá começando. No caso de Mano Feu, mulher, lésbica, e do interior de São Paulo, é ainda mais díficil. “Quando morava em Campinas, eu não tinha oportunidade. Só meus amigos mais próximos me apoiavam, até que conheci o grupo Sistema Negro e eles me deram uma música. Deixei minha voz no estúdio, mas nunca tive resposta. O DJ não me atendia, quando eu ia lá, ele via que era eu e não abria a porta”, comenta ela.

As coisas só começaram a andar quando Mano Feu se mudou para a cidade de São Paulo com a mãe. A primeira oportunidade surgiu em um baile em Santana de Parnaíba: “Fiquei sabendo de um baile que ia rolar em Santana de Parnaíba que era só chegar e cantar, e eu fui com o meu primo. Mostrei pro organizador a música “O Mundo Funk Chora”, que fiz quando o MC Daleste morreu, e ele me deixou tocar. “

A música deu uma estourada, Mano Feu conheceu a Liga do Funk e tudo começou a dar certo. “Nessa época comecei a cantar mais funk lésbico. “O funk fala de sexo e nós lésbicas que gostamos de funk sempre precisamos ouvir funk hétero. Uma fã um dia me falou que tava cansada disso. A gente quer se sentir representada”, explica a MC.

“Sempre me preocupei com o que eu ia passar com o meu funk, e nós lésbicas sentimos prazer e amamos igual”. 

Se solidificando cada vez mais, MC Mano Feu lançou recentemente seu primeiro videoclipe real oficial, “Linguadinha na XXT“. Além de falar abertamente sobre o prazer lésbico, assunto ainda pouquíssimo falado no funk, o videoclipe foi feito e pensado por uma equipe de 20 mulheres, todas lésbicas, bissexuais ou de identidade trans não-binária. “Nós acreditamos tanto nesse projeto que fizemos tudo voluntariamente”, comenta Luíza Fazio, produtora-executiva do videoclipe. 

O projeto acaba sendo uma grande reafirmação de que existem sim mulheres e LGBTQIA+ no mercado, que mesmo em 2021, acaba sendo majoritariamente masculino e hétero. “Esse papo de quem não tem LGBTQIA+ e nem negros não cola mais, ainda mais com a internet, que tá aí pra provar isso. É importante representar e se sentir representada”, explica Pétala Lópes, responsável pela direção do videoclipe.

“Pro projeto, queríamos diversidade e perspectivas diferentes, por isso temos corpos e pessoas diferentes. Muitos videoclipes LGBTQIA+ ainda reforçam algumas lógicas héteros, como a objetificação das mulheres. Queríamos fugir disso”

Ainda tem muito trabalho a ser feito para torna não só o funk, como todos os outros espaços, mais inclusivos para toda e qualquer minoria. Aos poucos, a galera vem chegando e abrindo as portas nem que seja na voadora pra mostrar que vai ter diversidade sim.

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