‘O funk me tirou das ruas’, a história do MC Moraes JP
Créditos: Acervo Pessoal
- Por Redação

‘O funk me tirou das ruas’, a história do MC Moraes JP

Sexta-feira é dia de Conte Aqui Sua História e hoje viemos com a visão do MC Moraes JP, lá do Rio Grande do Sul, que chega aqui no Portal KondZilla pra conscientizar a rapaziada. Chega mais. 

“Me chamo João Pedro Tenho, vulgo MC Moraes JP, tenho 19 anos de idade, moro no litoral do Rio Grande Do Sul. Ainda não realizei nada do que sonho, mas tudo que passei tirei como aprendizado e espero que você também tire como aprendizado e não leve para outro lado.

Cresci no meio das drogas vendo meu pai batendo em minha mãe, isso pra mim foi muito marcante. Com 12 anos de idade escrevi minha primeira composição em lembrança e saudades do meu falecido avô. Na época, eu ouvia funk, curtia muito o MC Daleste, mas não tinha conhecimento nenhum de como fazer funk.

“A saudade é um lago transparente 

A refletir sempre a imagem da pessoa ausente 

O meu vô quanta saudades de você de você 

O meu vô quanta saudades de você de você

Hoje você é mais uma estrela que brilha lá no céu

Fortemente fazendo sempre o seu papel 

É também sei que você sempre vai estar vai estar 

No meu lado nos momento mais difíceis 

O meu vô quanta saudades de você de você

O meu vô quanta saudades de você de você”

Por eu achar que estava sempre certo, com o tempo entrei no meio do crime, larguei a escola, tive 3 livramento de Deus e pra mim aquilo ainda não tinha servido de lição. Foi com 14 anos de idade. Na época minha mãe namorava um cara, eu e ele não se dava muito bem, sempre tinha atrito.

Um dia eu simplesmente saí de casa sem rumo e cai na casa de um parceiro. Um deles me passou a ideia de ir pra Porto Alegre e nessa capital o crime é complexo que nem de São Paulo. Eu e esse guri fomos pra lá e acabamos parando num morro. Isso era dia 15 de dezembro e meu aniversário era no dia seguinte. 

No que a gente tava no morro, entramos num beco e tinha um monte de cara armado. Do nada começou um tiroteio entre eles e dei fuga, o guri que tava comigo sumiu e eu acabei entrando na casa de um morador pra me esconder. 

Nisso, eu pedi pra Deus me ajudar e acabei cochilando, quando acordei já era dia e eu sai do morro. Eu acabei parando numa pracinha e sentei do lado de um guri que tava segurando uma caixinha de som e uma pasta com currículos, ele me acompanhou até a rodoviária. Foram quatro horas andando e quando eu tava chegando lá, o guri tinha sumido. Acredito que ele era um anjo que Deus mandou pra me ajudar.

Esse dia me deu um despertar na cabeça que foi onde eu saí do meio do crime e comecei a trabalhar honestamente, sempre pensando na música mas nunca colocava ela em prática. Os anos foram passando e nada se encaixava pra mim tudo dava errado, até que um dia eu voltei a compor foi onde achei o meu propósito. O funk me tirou das ruas, o funk me liberto do crime, o funk fez eu me apegar com Deus e ter muita fé independente da situação ou a grande dificuldade.

Já fui a São Paulo com 200 reais no bolso e uma passagem acreditando em um empresário, só que esse empresário vendia órgão e Deus usou minha mãe pra me avisar e sair a tempo da furada.

Hoje tenho 19 anos estou desempregado devido a esse Covid-19, mas sei que um dia vai chegar o dia.

Tenha fé jamais desista daquilo que sempre sonhou coloque deus na frente que um dia ele irá lhe abençoar.

Como disse ainda não conquistei o que sempre sonhei: ter uma casa própria, dar uma casa pra minha mãe e de explodir no funk mas em meio a todas dificuldades continuo firme e forte sabendo que um dia deus vai abençoar.

Minha missão aqui na terra é passa a voz pra todas quebrada para todos darem valor a quem sempre nos ama e não entrarem pra vida errada, buscar sempre o correto. Sonhar e acreditar no impossível, sempre manter a fé em Deus e olhar para o passado não com tristeza, mas sim como aprendizado.”

O MC Moraes JP tá aí no corre do funk e sonha em passar os aprendizados dele pra frente. Se identificou com a história dele? Manda a sua pra gente no e-mail conteaquisuahistoria@kondzilla.com e não esquece de mandar suas fotos, telefone pra gente entrar em contato e suas redes sociais. 

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