Liga do Funk reestreia com aulas de MCS e apresentações

Autor: Renan Omura

Fotos por: Renan Omura

Histórias que inspiram | 27/09/2019 12:12:18

Anexo faltante

Jovens de diferentes quebradas marcaram presença na volta do projeto social Liga do Funk. A reinauguração ocorreu ontem (26) e contou com rodas de conversas, aulas de música e com a apresentação da MC Lynne, artista da KondZilla. O curso gratuito será realizado na última quinta-feira do mês, no espaço Ação Educativa, Vila Buarque, região central de São Paulo.

O empresário e atual presidente da Liga Marcelo Galático esteve presente no evento de retorno e destacou as expectativas. “É muito satisfatório ver um projeto que criei em 2012, se manter firme. Um trabalho que já lançou diversos MCS renomados, certamente pode dar oportunidade para outros. Vamos buscar novidades pra molecada”, disse.

A noite começou com uma roda de conversa e com a apresentação dos participantes. Durante o papo, Marcelo Galático ressaltou a importância dos jovens correrem atrás dos objetivos. “Os seus sonhos não dependem de mim. Cada um sabe onde quer chegar. Então corram atrás”, concluiu.


Marcelo Galático, Fundador e presidente da Liga do Funk

O vice-presidente da Liga, Rogério Hernandes, 36, mais conhecido como MC Gerinho, é a prova de que o funk abre portas. Ele ficou recluso no sistema prisional durante 13 anos e o projeto lhe deu novas possibilidades. “A Liga me resgatou e me acolheu. Aqui eu consegui oportunidade de trabalho. E hoje a minha alegria é ver essa molecada feliz. É algo que parte de dentro de nós”, explica.


Vice-presidente da Liga do Funk Rogério Hernandes, vulgo MC Gerinho

O evento seguiu com aulas de postura de palco. Quem instruiu a molecada foi Ezequiel Soares da Silva, 34, vulgo MC Necx. Com vasta experiência musical, ele ensinou para os jovens a importância da presença de palco e como a intensidade do MC pode interferir de maneira positiva nas apresentações.


Aula de postura de palco com MC Necx

A nova voluntária Allana de Oliveira, 23 anos, artisticamente conhecida como MC Marry fez parte da Liga no ano passado, antes do projeto entrar em pausa. Em sinal de gratidão por tudo o que aprendeu, ela decidiu contribuir com o grupo ministrando as aulas de dança.

“Várias pessoas da periferia não têm oportunidade e aqui as portas estão abertas para elas aprenderem. Aulas de postura de palco, de canto ou de dança tem o valor muito alto, e aqui é gratuito. Temos que valorizar isso”, relata a MC.

Allana começou a cantar funk com 16 anos inspirada no irmão que era MC. Na época morava em Taubaté, município do interior de São Paulo, mas decidiu se mudar para capital em busca de novos objetivos.


Allana de Oliveira, artisticamente conhecida como MC Marry

Após conhecer a Liga do Funk através de um amigo, se apaixonou pelo projeto social. “Queremos alcançar mais pessoas e ampliar esse trabalho. E eu vou contribuir nisso”, conta.

Por meio da música, MC Marry questiona os estigmas sociais. “O funk ainda é visto como um movimento de baixo nível, mas está presente nas festas de casamento, nas comemorações de quinze anos. Por tanto, temos que desconstruir esse estereótipo e a Liga contribui isso”, afirma.

Outro objetivo da cantora é expressar o direito e a liberdade da mulher no funk. “Se a mulher canta uma determinada letra ou dança, é malvista e considerada vulgar. Por meio do funk, eu busco libertá-las desse pensamento”, relata.


Aula de dança com MC Marry

O jovem Gabriel Pereira dos Santos, 20, artisticamente conhecido como MC Persan, participou pela primeira vez da aula da Liga e, apesar da ansiedade, gostou. “Por ser o único gay aqui, eu fiquei com um pouco de receio, mas a galera me recebeu muito bem”, conta.

O MC é de Limeira, região centro-oeste de São Paulo, e se mudou para capital com o irmão para dedicar-se à carreira no funk. Para ele, tem espaço para todos no mercado musical, desde que seja um material de boa qualidade.


Gabriel Pereira dos Santos, artisticamente conhecido como MC Persan

Durante o evento, ocorreu também o microfone aberto. O programa oferecia aos MCS, espaço para cantarem no palco. Maicon Pereira Barboza, 36 anos, mais conhecido como Mayk ZN, veio de Coelho Neto, Rio de Janeiro para acompanhar a Liga e participou das apresentações. “A Liga do Funk não é um projeto que cria apenas artistas, mas forma seres humanos capazes”, afirma.

No último quadro “Cadeira elétrica”, em que artistas renomados participam de uma entrevista coletiva, o ex-professor de canto da liga e produtor musical da Kondzilla Junior Maia e a MC Lynne destacaram a importância de projetos sociais que fomentam a cultura na periferia, mas ressaltaram que o sucesso também depende do MC.

“Eu sempre digo aos jovens para persistirem e terem paciência. Não desistam que uma hora acontece. E quando você entra em uma produtora grande como a Kondzilla, o trabalho não para. Pelo contrário, o MC continua trabalhando e muito”, relata a MC Lynne.

O produtor Junior Maia aconselhou: “Vários artistas renomados como MC Kekel, MC João, MC Menor da VG, MC MM saíram daqui. Então persistam e mantenham a humildade”.


Produtor Junior Maia e MC Lynne no quadro “Cadeira elétrica”

A conversa entre os músicos já consagrados na cena com os jovens que estão começando é um incentivo para Luan de Morais, 18 anos, vulgo DJ Luan Original, que participou pela primeira vez da Liga do Funk. Diferente de outros participantes, ele quer se tornar um produtor musical e relata que está estudando e juntando dinheiro para comprar os equipamentos.

“É a primeira vez que estou colando aqui e estou gostando muito. Olhar pra essa galera que conseguiu chegar lá é uma inspiração pra mim. Vou colar todo mês na Liga”, relata Luan.

O diretor social da Liga Willian Lages, vulgo Wilshow, de 49 anos, foi o responsável pelo retorno da Liga do Funk e sente-se grato pelo apoio. “Eu fiquei contente pra caramba pelo comparecimento da galera. Tanto dos MCS mais novos e dos veteranos. Só tenho a agradecer a todos”, conclui.

Os cursos serão realizados toda última quinta-feira do mês, no endereço Rua Gen. Jardim, 660, Vila Buarque, região central de São Paulo, das 14 horas às 18 horas. Além das aulas de postura de palco e de dança, também terá o quadro “Cadeira elétrica”. A entrada é gratuita e aberta para todos.

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