“Foi difícil pra um menor sonhador acreditar que sua mãe tinha ido embora”, diz MC Anderson RD
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- Por Redação

“Foi difícil pra um menor sonhador acreditar que sua mãe tinha ido embora”, diz MC Anderson RD

Hoje no Conte Aqui Sua História, projeto da KondZilla pra te dar voz pra contar sobre você, quem aparece é o MC Anderson RD, cria lá de Fortaleza, que viu no funk um meio de superar os perrengues da vida. Se você quiser aparecer no quadro, basta enviar um email com sua história para: conteaquisuahistoria@kondzilla.com. Chega mais.

“Fala KondZilla! Eu sou o Anderson Araújo da Silva, mais conhecido como MC Anderson RD. Sou de Fortaleza, Ceará e tenho 18 anos. Minha história é um pouco complexa, mas vamos lá.

Minha mãe quase a vida inteira foi usuária de crack, tinha eu de filho homem e mais quatro mulheres, sendo eu o mais velho. Devido a situação não tinha responsabilidade mas tinha amor, a droga era mais forte que ela eu entendo.

Aos 8 anos de idade eu ia fazer uma entrega de carvão e meu tio e minhas irmãs ficaram em casa, minha mãe não estava lá. Então o juizado de menor foi acionado, levaram elas e até hoje só se sabe que foram adotadas sem mais informações.

Aos 10 anos de idade tinha o sonho de ser MC, nessa idade já criava algumas letras porém só aos 13 que dei início, gravando um vídeo em um pocket. Minha mãe ainda era viva e ela me motivava muito, me apoiava, enquanto alguns familiares apenas riam. Mas tá ligado que sempre nois tiro isso de letra [sic] porque já era vivido. Pelo fato da minha família ser de comunidade, ganhei muito aprendizado.

Cresci vendo minha família jantar um pacote de bolacha cream cracker com suco, aqueles de um real. Isso quando tinha dinheiro…. Minha mãe não tinha emprego e pedia frutas no mercado que dava pra família sobreviver. Minha vó também ia pra fila de ações sociais pra ganhar arroz, feijão e às vezes peixe. Guerreira e diamante raro, ela sempre fez de tudo o que podia, e ainda faz, por nós.

Cresci com isso na cabeça e botei na mente ‘não aceito isso, porque na casa dos meus amigos tem arroz e carne e aqui bolacha?’. Então me dediquei na música, aos 14 fiz meu primeiro show em uma praça, era um show de talentos e fui criando letras ao longo do ano. Faltando um mês para meus 15 anos minha mãe estava muito mal no hospital por conta da bebida, eu não sabia a gravidade, vim saber depois… Liguei pra ela e ela já estava decadente, mas falava e mal eu sabia que aquela seria a última ligação.

Mãe: Oi amor, vou parar de beber viu.
Eu: Amém, mas a senhora só quer parar de beber quando está no hospital.
Mãe: Agora é sério, quero nem mais conversa com bebida. Tenha fé que a mãe vai ficar bem. (Nessa época ela já fazia hemodiálise)
Eu: Amém! Tô orando pela senhora.
Mãe: Amém. Independente do que aconteça, nunca desista do seu maior sonho que é cantar.

No outro dia recebi a notícia que ela não havia resistido. Foi difícil pra um menor sonhador acreditar que sua mãe tinha ido embora e nunca mais ia vê-la, ainda mais vendo minha vó com problema de coração. Eu não podia ser fraco naquele momento que ela precisava do meu apoio.

Desse dia em diante, decidi ser forte e foquei no que eu queria. Aos 16 anos, sem trampo profissional, fiz uns bico de shows não profissionais, mas com um cachê pra comprar alguma coisa e vim levando.

Agora com 18 anos estou firme na caminhada, hoje nois pode almoçar [sic] um arroz com frango, carne, tá ligado, muita fé e trabalho. Vários trampo pra soltar, letra não falta e sim um beatmaker profissional pra eu me profissionalizar na área. Estou fazendo uns bico de shows ainda e vou levando, na hora certa Deus brilha e nois mostra o talento que a favela tem!!”.

Anderson já está dando as caras no funk e usando a música pra falar da vida. Se identificou com a história dele? Conta a sua pra gente no e-mail conteaquisuahistoria@kondzilla.com e nos mande suas fotos, redes sociais e celular pra gente falar com você!

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