Dia da Reparação Histórica: entenda porque a data é marcada por protestos, não comemorações
Créditos: @jenyfotografia
- Por Rayane Moura

Dia da Reparação Histórica: entenda porque a data é marcada por protestos, não comemorações

Entre os anos de 1532 e 1850, cerca de 5 milhões de negros foram raptados para o Brasil. São 5 milhões de histórias que nunca vão voltar. Em 13 de maio de 1888, a princesa Isabel, herdeira do trono no Brasil, assinou a Lei Áurea, que oficialmente extinguiu a escravidão no país. 

De acordo com estudos, depois de assinar a ‘liberdade’, a princesa Isabel deixou cerca de 750 mil negros e negras sem nenhum auxílio de proteção do estado. A Lei Áurea não foi acompanhada de políticas sociais necessárias para integrar os ex-escravos à sociedade, como reivindicavam à época os abolicionistas. 

Sem comida, casa e trabalho, os recém libertos criaram estratégias de sobrevivência, enquanto outros permaneceram sob o controle dos antigos “donos”, em uma tentativa de conseguir o básico para viver. Por conta disso, os movimentos negros defendem que o país comemora uma falsa abolição.   

A princesa e seu feito são reverenciados nos livros escolares de história e a data, Dia da Abolição da Escravatura, foi instituída no calendário oficial como algo a ser comemorado. Mas não tem o que ser comemorando, levando em consideração que isso se reflete até hoje. 

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística comprovam: dos 13 milhões de brasileiros desocupados em 2017, 8,3 milhões eram pretos ou pardos, ou seja, 63,7% deles.  A Pesquisa Nacional por Amostra Domiciliar 2017 também apontou que o rendimento dos trabalhadores pretos ou pardos era de R$ 1.531,00, enquanto o de trabalhadores brancos era de R$ 2.757,00.

No país, de cada 100 pessoas assassinadas, 71 são negras. Entre 2005 e 2015, a taxa de homicídios de pessoas negras aumentou 18,2%, enquanto a das pessoas não negras diminuiu 12,2% no mesmo período. Ao fazer o recorte de gênero, o abismo se torna mais proeminente. Enquanto a taxa de homicídios de mulheres não negras teve crescimento de 4,5% entre 2007 e 2017, a taxa de homicídios de mulheres negras cresceu 29,9%. Em números absolutos, entre as não negras o crescimento foi de 1,7%, já entre mulheres negras foi de 60,5%. Os dados são do Atlas da Violência publicado em 2017 pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

No instagram, a Zeferina Produções separou 9 revoluções negras, que a história não conta, mas que foram fundamentais. “Há pouco a comemorar hoje, 13 de maio, afinal, nada nos foi dado, foi tudo conquistado. Houve muita luta e temos nossos heróis e heroínas. Sempre tivemos as nossas estratégias de resistência e sobrevivência! Confira as 9 revoluções negras que “a história da história” não conta, mas são pedras fundantes do processo de emancipação e autonomia negra!”, se liga só: 

“Nem bala, nem fome, nem covid. O povo negro quer viver!”, com essa frase, o Instagram @pretaspretospoder acompanhou diversas durante o dia todo, manifestações aconteceram pelo Brasil todo. Pega a visão: 

Já o Instagram Coalizão Negra Por Direitos, convocou todos para manifestações, em diversas partes do país. “Pelo Fim do Genocídio Negro e pelo controle social de atuação das polícias!”.  

O Mídia Ninja relembrou outras pessoas que fizeram parte dessa luta. “Grandes nomes masculinos ganharam protagonismo na luta contra a escravidão, no entanto movimentos femininos tiveram uma participação incontestável nessa jornada”. 

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