“Deus me tirou as pernas que um jogador precisa, mas me deu o dom”, diz Marquinhos Corrêa
Créditos: Reprodução
- Por Wenderson França

“Deus me tirou as pernas que um jogador precisa, mas me deu o dom”, diz Marquinhos Corrêa

Muito se reclama da vida, não é mesmo? A questão é que, boa parte do tempo, existem pessoas com dificuldades muito maiores do que as nossas fazendo o jogo acontecer. Nesse caso em específico a história acontece não só no campo da vida, mas também nos gramados de times como: Corinthians, Santos, Juventus e São Caetano, onde Marcus Vinicius Amorim Corrêa, 26, morador das quebradas do Jd João XXIII, zona oeste de São Paulo, passou a mostrar o dom pro esporte mesmo não tendo ambas as pernas. Quer saber mais um pouco da história desse jogador de futebol que vem querendo ser exemplo e motivar o mundo? Cola com o Portal KondZilla e pega a visão. 

Mal começamos contar a história e você já deve estar se perguntando como ele joga futebol sem ter as duas pernas né? Pois bem, antes de qualquer coisa, vamos aos fatos. Marquinhos ficou paraplégico depois de contrair uma infecção que causou gangrena, a morte de um tecido do corpo devido à insuficiência de irrigação sanguínea, quando tinha apenas cinco meses. A doença é mais comum nas extremidades do corpo, incluindo pés, dedos, braços e pernas, que é o caso do jogador de futebol. 

Logo, o apoio da família foi primordial para que Marquinhos seguisse o sonho independente das limitações: “Minha família me ajudou muito, nunca me colocaram na posição de não poder fazer as coisas que eu queria. Já nasci com vontade de jogar futebol, sempre gostei de futebol, eles só falaram quer ir jogar? Vai. Fui me adaptando do meu jeito e hoje não tenho dificuldade nenhuma de jogar”.

E quem diria que aquele garoto que começou jogar futebol ainda muito novo em cima de próteses chegaria em times como: Corinthians, Santos, Juventus da Itália?: “Comecei jogar futebol com o meu avô na sala de casa, tinha mais ou menos dois anos de idade, estava começando andar com as próteses. Agora sem dificuldade nenhuma, foi em um time lá na quebrada Vila Clara[zona sul de São Paulo], quando estava com sete anos”. A união entre força de vontade, experiência, dom e obviamente as próteses são o fator determinante para Marquinhos: “As próteses que eu jogo e ando são diferentes. Mas no geral você vai pegando as manhas, adquirindo experiência de como usar, colocar mais meias ou menos meia pra não apertar, tem todo um jeito”.

Bom de bola, seu futebol arte o levou a conhecer um dos grandes nomes do futebol brasileiro Ronaldo Fenômeno. Afinal, desde moleque ele vem encantando com o talento pro futebol independente de qualquer circunstância: “Graças a Deus nunca sofri discriminacão, pelo contrário, sempre soube jogar bem então os moleque queriam está no meu time, gostavam de falar que estava no time do Marquinhos”, comenta ele sobre preconceitos.  

“Fiquei revoltado: sei jogar, tenho o dom, mas não pode virar profissional”

Persistente, nem tudo foram flores ou positividade: “Na adolescência fiquei meio revoltado porque sabia jogar, sempre tive o dom, mas não poderia virar profissional. Mas com o tempo fui crescendo e entendi que minha missão na terra é outra”. O apoio mais uma vez foi um fator determinante: “Muitas pessoas conversando comigo, explicando que eu não iria virar profissional mas continuaria fazendo o que eu gosto que é jogar futebol, que na realidade só não iria aparecer na televisão”. 

Sem poder disputar campeonatos como os Jogos Paralímpicos por ser um dos poucos atletas deficientes no Brasil que consegue jogar de igual com jogadores de futebol profissional, por exemplo, Marquinhos encontrou em sua história a oportunidade de motivar: “Quero mostrar minha história para pessoas que reclamam da vida, sabe? Tudo que já passei, venho passando, pra chegar até aqui não foi fácil. Quero também ajudar pessoas que talvez tenham perdido as pernas agora, que elas saibam como cheguei até aqui, que é possível”. 

A meta é seguir sonhando sempre de cabeça erguida: “Não desista, acredite sempre no seu potencial, nunca abaixe a cabeça e siga em frente que aquele lá de cima cuida de tudo. Quem imaginava que Deus me tirou as pernas que um jogador precisa ter mas me deu o dom, né mano? Sempre faça as coisas certas, não perca porque as coisas são muito fáceis e treinar muito. Marcha!”, passou a visão para todos.

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