/ Matérias

Conexão Brasil-Angola retrata Luanda, o berço do Kuduro

- Por Renato Martins

Conexão Brasil-Angola retrata Luanda, o berço do Kuduro

As periferias do mundo inteiro começaram a ter mais visibilidade na virada do século, e a internet é a principal causa desse efeito em massa. Sem que haja barreiras físicas para impedir o contato e a distribuição de música, fotos e vídeos, as infinitas culturas periféricas puderam se expor sem passar pela aprovação de ninguém. Produtores musicais começaram a criar um intercâmbio cultural nunca antes imaginado, era possível ouvir o funk carioca, em qualquer região do mundo, como também chamar um gringo para uma collab. Nesse sentido, outros ritmos como: Cumbia, Reggaeton, Tecnobrega, Bregadeira e o Kuduro se tornaram ritmos conhecidos. Mas até que ponto uma música no Soundcloud consegue representar uma cultural local? Foi com essa dúvida que os produtores e videomaker Alexandre Marcondes e Suryan Cury, se jogaram para Luanda, capital da Angola para descobrir mais desse ritmo africano. E você confere agora no Portal KondZilla o resultado desse trabalho:

KDZ: Como surgiu a ideia da música “Tá fixe”?
AM: Essa é uma história muito legal, porque foi muito por acaso. Aliás, a gente saiu do Brasil somente com o contato do DJ Ketchup, não sabíamos que iríamos encontrar tanta gente incrível.

A juventude angolana é muito conectada com música. No hotelzinho simples que a gente estava hospedado, um pouquinho afastado do centro, fizemos logo amizade com a galera angolana assim que descobriram que estávamos lá por conta da música. Tinha esse cara do hotel que nos apresentou alguns DJs das redondezas, o bairro do Talatona.

Todos nos receberam muito bem, conversamos muito sobre música e cultura, trocamos muuuuitas músicas e nisso rolou um papo de tocar numa festa deles. Neste DJ set, o Elpitxú faria uma performance de percussão, algo relativamente comum lá. Quando fomos pra casa dele dar uma ensaiada, começaram uns papos de produção. Ele abriu o FL e os amigos dele começaram a cantar na música. A coisa simplesmente fluiu.

KDZ: E o que significa a gíria “Tá Fixe”?
AM: Esse lance de “Tá fixe” foi uma coisa marcante pra gente, porque é um gíria muito carismática, e mesmo sem a gente nunca ter ouvido antes, entendemos de cara a good vibe. Quando pensamos no refrão, vimos que era isso que ia unir o Rio e Luanda.

Quando vimos que a coisa tava tomando uma forma mais legal ainda do que esperávamos, nos empolgamos e decidimos que TINHA que rolar um clipe pra mostrar a vibe daquela galera! Daí escolhemos as locações e no último dia de viagem filmamos tudo. Foi muito emocionante por que por onde a gente passava tava todo mundo cantando junto, tinha a molecadinha cantando. Foi demais.

KDZ: Qual foi a bagagem cultural que vocês trouxeram dessa viagem?
AM: Não consigo nem te descrever o tamanho da bagagem que trouxemos. Eu fiquei uns três meses com a cabeça fervilhando tentando entender tudo que aconteceu por lá. Tentando digerir. Certamente minha vida mudou depois que essas pessoas abriram suas portas para nós. Uma mudança de visão da vida e visão musical. É até difícil dizer o tamanho da minha gratidão a eles.

Gostou do papo? Leia mais dessa jornada por aqui: Kuduro, esse beat nos kuia e Tá Fixe, o baile tá fixe .

#Ficha Técnica
Música produzida: por Johnny Ice (Alexandre Marcondes) e Elpitxú.
Vozes de: Savio Show, Socílo Xeriff e Suryan Cury

#VideoClipe
Produzido e Dirigido por: Alexandre Marcondes e Suryan Cury
Edição: Alexandre Marcondes e Clarissa Ribeiro
Finalização: Alexandre Marcondes
Participação de: Os Makambos , Os Botsuwana, e Os Mvuama
Co-produção: I Hate Flash

Tags relacionadas:

Funk