"Chora ou Dança" é o ritmo da melancolia carioca

Autor: GG Albuquerque

Fotos por: Reprodução // Youtube

150BPM | 05/09/2019 15:26:56

Anexo faltante

O rap acústico tem conquistado o coração dos jovens — o Poesia Acústica 6 bateu a marca de 183 milhões de visualizações no YouTube e o PA7 soma 40 milhões quase 2 meses de publicação — e a combinação de melancolia, dor de corno, paixão e safadeza motivou uma nova onda no funk carioca: o funk sad, também chamado de “chora ou dança?”.

O que é o funk sad?

Basicamente, o funk sad são remixes de raps acústicos ou músicas internacionais com a batida do tambor conga. São versões simples, que às vezes nem combinam. Mas quando encaixa, é viciante. A moda começou há mais ou menos cinco meses e estourou com “Já Procurei em Outros Braços”, um remix do DJ VT Posturado para “Não Tem Mais Nós Dois”, música dos rappers Kiaz, Dcan e Nith feita para a Resenha da Blakk — série de vídeos acústicos da produtora Blakkstar Entretenimento, na mesma linha do Poesia Acústica.

O som foi se espalhando por vídeos nos status dos funkeiros do Rio com versos tristes, como “Vai embora e não me ligue mais, vê se acha a paz/ Leva um frasco do meu cheiro e um fiapo de cabelo”, tudo isso na batida do tambor. Somando os acessos dos três vídeos mais acessados da mesma música, “Não Tem Mais Nós Dois”, passa de 4 milhões de acessos. É pouco quando comparado com os 30 milhões da faixa original, mas muito quando leva-se em conta que é um remix feito com poucos recursos por um DJ da comunidade Areal, em Angra dos Reis.

Produtores do Chora ou Dança

“Em 2016 comecei a fazer músicas de funk normal. Aí em 2018 tentei fazer algo diferente e veio a ideia dos remixes”, explica VT Posturado. “Não imaginava que essa música ia fazer esse sucesso todo, achei que seria mais um remix como outro qualquer e que poucos iriam curtir. Mas depois do sucesso, as pessoas se identificaram e estão pedindo mais”.

E não demorou para que o funk sad passasse a incorporar outros gêneros musicais. O DJ Jeanzinho de Santa Cruz, por exemplo, estourou com um remix de “Eu Sinto Sua Falta”, do pagodeiro Ferrugem. Outro representante do funk sad, o DJ 2R de Santíssimo transforma tudo em funk. Ele já remixou pagode sofrência (Ferrugem e Davizinho), rap (Recayd Mob, Poesia Acústica, Racionais) e hits atuais ou antigos do pop nacional e gringo (de Melim, Gaab e Charlie Brown Jr. até David Guetta). Vale a pena procurar pelo YouTube ou sacar o SoundCloud dele.

2R conta que a sua primeira música nesse estilo que estourou foi “I’m In Love With You But”. “Ninguém botava fé mas eu tinha um público pequeno que me ajudou crescer, até que um dia um cara que tem 100 mil inscritos resolveu roubar uma música minha. Eu tinha postado a música sem vinheta, então ele se aproveitou disso. Foi aí que eu estourei minha primeira música internacional. Eu falei: ‘Se uma deu certo, vou continuar fazendo’. Hoje eu tenho várias músicas estouradas com 100 mil visualizações, umas com 500 mil”, comemora o DJ, cria do bairro de Santíssimo, em Campo Grande.

O funk sad se desenvolve nas bordas do Rio de Janeiro, na Zona Oeste, distante da “cidade maravilhosa”. Por lá rolam poucos bailes de favela. O tipo de evento mais popular entre a galera é a chamada resenha, que é uma festa num sítio afastado. Mas os DJs acreditam que a tendência pode se expandir. “Todos os eventos que rolam pela Zona Oeste tocam essas músicas mas tenho fé em Deus que em breve vai estar rodando o RJ todo”, diz R2 de Santíssimo.

Mix de melhores do funk sad:

Funkeiros já falavam de amor

Ainda sem cara de movimento propriamente, o funk sad é uma tendência que vai se formando no underground do funk do Rio. Mas não está dissociado do que está acontecendo no centro do funk atual. Em junho de 2017, MC Livinho surpreendeu todo mundo ao estourar “Fazer Falta”, uma música lenta que ia na contramão da temática de festa e putaria, mais popular no baile. Depois, em novembro daquele mesmo ano, Don Juan emplacou “Amar, Amei”, outro som de ares melancólicos que tocou até o primeiro semestre de 2018. No ritmo acelerado do Rio, o MC Niel também cantou os desencontros do amor nos sucessos “Foi Até Bom te Encontrar” e “Já Fui Feliz Com Ela”. E até Kevin O Chris, conhecido pelas letras de putaria, preferiu um caminho mais sentimental em “Ela é do Tipo”.

Em meio a esse caldeirão de sentimentos, o funk sad é mais uma forma que a juventude das quebradas do Rio encontrou de abrir o coração sem abrir mão do seu querido tamborzão ritmado, alinhando-se com a história de ícones como Claudinho e Buchecha e MC Marcinho e renovando suas influências ao mesmo tempo.

Siga os produtores nas redes:

2R de Santíssimo – Soundcloud
VT Posturado – Youtube
Jeanzinho de Santa Cruz – Youtube

ASSINE A NEWSLETTER

NÃO PERCA NENHUMA NOVIDADE DO NOVO PORTAL KONDZILLA!

O quê você
procura?