Aos 20 anos, Fanieh quer mostrar pra quebrada que todos têm possibilidade de ir além do imposto pela sociedade
Créditos: Gabrielle Seixas
- Por Karolyn Andrade

Aos 20 anos, Fanieh quer mostrar pra quebrada que todos têm possibilidade de ir além do imposto pela sociedade

Com apenas 20 anos, Fanieh, cria de Guaianases, extremo leste de São Paulo, vem se destacando na cena por suas letras e posicionamentos sempre fixados nas suas raízes. A artista recentemente soltou sua voz na primeira faixa do projeto idealizado majoritariamente produzido por mulheres, o  “Hervolution“, e ainda tem muita coisa boa pra soltar em 2021. Chegou a hora de conhecer mais a potência desta mulher, que além de ser rapper, ainda é co-fundadora do Instituto Izaias Luzia. Saca só! 

Crescendo com uma família de artistas, o talento pode estar no sangue: “Meu avô era cantor, minha mãe é professora de hip hop e meu pai é percussionista. Então, sempre estive neste meio artístico”, explica ela sobre o começo da caminhada na música. Bastou uma apresentação na escola ao som de “Atirei o Pau no Gato” para a mãe dela perceber que a filha tinha talento.

O começo do corre na música foi em festas de família e festivais e a decisão de  seguir carreira veio aos 15 anos, quando Fanieh começou a se aventurar nas batalhas de rap. Nesta etapa, a artista não chegou a batalhar rimando, mas participava dos shows que o tio fazia nos eventos de batalha. “A galera achava estranho porque sempre tive a voz bem encorpada, eu era pequena e magrinha, eles ficavam – essa menina pequenininha desse jeito canta desse jeito”, conta a artista. 

Outra reflexão feita pela cantora, se trata de estereótipos sobre mulheres na cena do hip hop: “A galera começou a me chamar, mas eram convites para refrões, a mulher no hip hop/rap é convidada para refrões e backing vocal. Até entender que eu poderia ser protagonista, escrever uma música e não só estar fazendo backing vocal para um cara, foi complicado”, explica. 

Depois de ser passada a perna, Fanieh decidiu seguir carreira independente e fazer o sonho virar. Começando a fazer shows inteiros sozinhos e o apoio da família, a artista seguiu. A mãe fazia backing vocal, o tio virou DJ e os primos eram dançarinos. Uma verdadeira festa em família!

Além de ser uma artista completa, Fanieh ainda reserva tempo para cuidar da ONG que é co fundadora, o Instituto Izaias Luzia, em Guaianases, onde trabalham com cultura, esporte e educação: “Foi minha transformação, a bagagem para me tornar uma artista e, é isso que sempre prego para as pessoas da minha comunidade que a gente pode sim transformar vidas por meio da cultura, da educação e do esporte”. 

Com muitos projetos para saírem este ano, a cantora pode ser nova, mas suas vivências mostram exatamente sua maior prioridade na cena: “Meu maior objetivo como artista é empoderar as mulheres de periferia, mostrar que o hip hop tem força, tem voz e que a nossa caminhada pode começar dali e chegar onde quisermos”, concluiu.

Estruturada por toda bagagem e família, a cantora promete sempre meter as caras e ir para cima e quer levar outras mulheres para o topo consigo. 

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