“Ainda lutamos pelo direito à água”, #COVID19NasFavelas do Rio, saiba como ajudar!

Autor: Matias Maxx

Fotos por: Reprodução // Redes Sociais

Coronavírus / Covid-19 | 24/03/2020 12:23:16

Anexo faltante

No domingo dia 22 de Março a Prefeitura do Rio confirmou o primeiro caso de Covid-19 em favelas da capital fluminense. O paciente mora na Cidade de Deus, na Zona Oeste da cidade. No dia seguinte, o RJTV2, telejornal local da Globo, revelou os números de casos suspeitos em favelas. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde seriam 63 casos suspeitos nas seguintes favelas e comunidades carentes do Rio de Janeiro: Cidade de Deus (19), Rio das Pedras (10), Manguinhos (8), Jacarezinho (7), Complexo do Lins (4), Jacaré (2), Parada de Lucas (2), Acari (1), Complexo do Caju (1), Complexo da Maré (1), Complexo Pedreira (1), Complexo São Carlos (1), Mangueira (1), Rocinha (1), Vidigal (1) e Vilar Carioca (1).

A proliferação do vírus em favelas é preocupante pois as principais medidas de prevenção, lavar as mãos e distanciamento social, não são sempre uma opção. As favelas do Rio de Janeiro carecem de saneamento básico adequado e sofrem com abastecimento irregular de água. Pelo twitter o ativista Raull Santiago do “Coletivo Papo Reto” do Complexo do Alemão, denuncia: “Na favela, só cai água duas vezes por semana. Nós economizamos água não apenas por consciência, mas também por sobrevivência. Lavar a mão o tempo inteiro, não é uma possibilidade. Ah, na minha casa são seis pessoas. Ainda lutamos pelo direito a água aqui”.

A alta concentração demográfica, com famílias inteiras ocupando, as vezes, um único cômodo e a arquitetura das favelas, com casas empilhadas em cima das outras complica o tal distanciamento social.

Faixa no Complexo do Alemão

A estudante Moana Couto da Favela do Aço, na Zona Oeste, explica que a situação lá é muito precária. “A maioria das casas são pequenas e moram 6 ou 7 pessoas pra cima, o que aumenta muito o contágio do vírus. Além de ter muitas crianças, também tem muitas pessoas do grupo de risco, podendo ser uma situação bem grave se continuar da forma que está.” A estudante conta que ainda há muitas pessoas e festas acontecendo nas ruas, assim como o comércio que continua aberto. “A galera daqui (Cesarão) e da Favela do Aço não estão conscientizadas. No Aço, as crianças têm ficado nas ruas expostas como normalmente vivem todos os dias. Algumas estão falando que isso é doença de rico e que não pega em pobre, mesmo alertando, o discurso é esse.”

Outra grande questão é a econômica, Boa parte da população das favelas é ou trabalha no comércio informal ou é prestador de serviço autônomo, e com a quarentena o trabalho simplesmente acabou. No Complexo do Pavão-Pavãozinho e Cantagalo (o famoso PPG), entre Copacabana e Ipanema, muitos trabalham como vendedores ambulantes ou nas barracas de praia, e agora foram afetados com o decreto que proíbe a utilização das praias. Erivelto Melchiades é bacharel em direito e morador do Cantagalo, ele tem um irmão que trabalha numa barraca de praia que explicou “os barraqueiros serão isentos da taxa da prefeitura TUAP, quem é cadastrado deve receber entre R$200 e R$500. Agora quem é informal ta tendo que contar com a sorte para se virar….”.

Faixa na Grota, Complexo do Alemão.

Preocupados com essas questões, coletivos e indivíduos de várias comunidades estão realizando várias campanhas, para conscientizar a população, e ajudar a comprar água, sabão, álcool em em gel e alimentos para famílias em dificuldade. O pessoal dos coletivos Maré Vive, Maré 0800 e AmarÉvê estão apostando na comunicação para conscientizar a população. “A comunicação comunitária é uma ferramenta fundamental para informar os e as moradoras de favelas sobre os riscos da epidemia do coronavírus. Afinal, nem todos e todas têm acesso aos grandes veículos de comunicação, acesso à leitura, internet… Já iniciamos as ações do nosso plano de comunicação: gravamos áudios para as rádios postes e rádios comunitárias, alugamos carros de som para circular nas ruas, imprimimos e distribuímos cartazes em igrejas, bares, todo o comércio, associações e instituições, produzimos faixas para em locais de grande circulação, além de cards e vídeos com profissionais de saúde local para as redes sociais.”

Faixa na Vila Jacarézinho

Seja na laje ou no quintal, o covid-19 não vê cor ou classe. Então, vamos sim lavar as mãos obsessivamente, praticar a higiene básica, o isolamento social dói um pouquinho, mas em breve tamo voltando ao normal.

Links para Campanhas para ajudar as favelas do Rio de Janeiro.

Campanha do Coletivo Papo Reto, do Complexo do Alemão.

Campanha “Pandemia com Empatia” d’A Voz das Comunidades.

Mobilização Coletiva da Favela do Aço – Vila Paciência.

Campanha “Complexo da Maré contra o Coronavírus“, dos coletivos MARÉ Vive, MARÉ 0800 e AmarÉvê.

Campanha #Covid19nasfavelas da rede Meu Rio em prol do Coletivo Fala Akari e coletivos do Complexo da Maré, Complexo do Alemão, Duque de Caixias, Santa Cruz e conunidades do Viradouro e Niteroi.

Campanha da Central Única das Favelas.

Orientações Para Favelas e Periferias sobre o Covid-19 – Documento desenvolvido pelo Grupo de Trabalho de Saúde da População Negra da Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade (SBMFC) e Associação de Medicina de Família e Comunidade do Rio de Janeiro (AMFaC-RJ)

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