A ONG Fa.Vela é uma aceleradora de negócios das favelas

Autor: Renato Martins

Histórias que inspiram | 24/05/2019 10:00:39

Anexo faltante

Em todas as periferias do Brasil, conhecemos diversas histórias de empreendedores criativos que souberam se virar para começar um negócio e mantê-lo, mesmo sem nunca ter frequentado uma sala de aula de universidade. Lá em Minas Gerais, a ONG Fa.Vela dá apoio, cursos e ensina a esses empreendedores como conduzir um negócio de forma sustentável. Batemos um papo com o João Souza, um dos idealizadores da ONG e que estará na mesa ‘Favela e Asfalto, batendo um sincerão com os empreendedores de base’ no Festival Path, que acontece dia 1 e 2 de junho.

1) Como surgiu o projeto Fa.Vela? Qual o impacto direto deste trabalho?
O Favela surgiu em 2014 com um grupo de moradores de vilas e favelas que se juntou para poder repensar a questão de que eles tiveram acesso ao ensino superior. Começou com a lógica de como faríamos um programa de voluntariado, com um pensamento de como poderíamos ajudar as “nossas” favelas e periferias. Num determinado momento decidimos que precisávamos criar um projeto muito específico, para fazer uma entrega melhor. Aí começamos a pensar o ‘Fa.Vela’ não como algo social, mas como um acelerador, na perspectiva de acelerar projetos e negócios de impacto social e ambiental, mas que também gerasse grana para a galera que está dentro da favela.

O impacto que vemos hoje desse projeto é primeiramente aumentar a autoestima desse empreendedor, desse criativo, desse gerador de conhecimento e conteúdo que existe dentro da favela. Para ele se entender como protagonista de soluções e nos tirar dessa perspectiva de quem recebe apoio, de quem é impactado e ir realmente para uma perspectiva de protagonistas dessas soluções. Esse é o principal impacto.

2) Empreender é uma palavra do momento, mas para as favelas do Brasil, sempre foi algo natural ter algum tipo de negócio próprio para sobreviver. Como o Fa.Vela ajuda esses empreendedores?
Para nós a questão do Fa.Vela primeiro foi que, somos muito privilegiados de poder trabalhar em algo que gostamos. Imagina você ser um morador de favela e trabalhar com impacto social, com essa perspectiva de geração de renda dentro da favela e das comunidades em que estamos inseridos. É algo que hoje nós vivemos do Fa.Vela, todos os fundadores vivem disso (eu, a Tatiana Silva e a Débora Silva), mas a perspectiva de ser um negócio foi muito importante para nós. Não pensar em uma organização social mas sim como uma empresa. Mesmo que tenhamos registro como associação, pensamos no Fa.Vela como um negócio sustentável e que precisa pagar as contas para poder oferecer um serviço cada vez melhor para nossos empreendedores.

3) Qual a situação das periferias de Belo Horizonte?
Segundo o censo do IBGE, a gente tem 251 vilas e favelas, indo no site da prefeitura hoje consegue-se obter esse dado, só que teve o advento do surgimento de muitas ocupações pela cidade, muitas periferias surgiram no período desse dado que é de 2010. Então, acreditamos que hoje tivemos o incremento de uns 30% mais precisamente falando por volta de 300-320 aproximadamente vilas, só dentro da cidade de Belo Horizonte. Não estamos nem falando dos 32 municípios que estão no colar do que chamamos de grande BH.

4) As periferias sempre foram retratadas por histórias de Rio e São Paulo, agora, Minas Gerais começa entrar no radar também (com matérias sobre programas, a música e até a dança). Como é estar envolvido diretamente nesse movimento?
Para nós foi muito “massa” quando criamos o Fa.vela, porque víamos pessoas saindo de Belo Horizonte para outros estados para fazer voluntariado em outras ONGs tipo Teto, e começamos a ver as pessoas que moravam do lado das favelas da região centro sul, no caso do Rio (que o Rio tem favelas dentro do centro sul, na zona sul) aqui em BH.  Temos também muitas favelas e as pessoas não reconheciam essas favelas. Hoje, nós temos essa visibilidade, não só nossa do Fa.Vela, como um acelerador que nasceu para a favela de dentro da favela para impactar os criativos os empreendedores de dentro da favela, mas também temos lá da “favelinha” que trabalha muito com cultura num dos aglomerados de Belo Horizonte.

O ‘Bloco Seu vizinho’ é um bloco de carnaval que nasce dentro da favela nas perspectiva de resgatar o carnaval de rua de Belo Horizonte . Ele começou no asfalto, mas que esse resgate é levado para dentro da favela também o que é muito massa, nos sentimos muito orgulhosos de hoje estar conseguindo colocar Minas Gerais dentro da posição das potências das favelas do Brasil. Hoje nós estamos sendo reconhecidos e todas as iniciativas aqui de Minas, o Fa.Vela incluído nelas, como iniciativas que realmente estão gerando inovação dentro desses territórios.

Por essas e por outras, você pode conferir o papo que rola com João e outras personas fodas das favelas na mesa “Favela e Asfalto, batendo um sincerão com os empreendedores de base” que acontece no Festival Path, que acontece dia 1 e 2 de junho.

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