Eventos

Por que hotéis ficam fora da primeira opção para eventos corporativos

18.05.2026 | Por: Gudyê KondZilla

POR TIAGO FERREIRA

O mercado de eventos corporativos no Brasil registrou crescimento entre 2024 e 2025, com aumento superior a 38% nas propostas de eventos e quase 20% na realização efetiva desses encontros, segundo levantamento da DataEventos. Apesar desse movimento, hotéis raramente são a escolha inicial de organizadores.

Ao planejar encontros corporativos, produtores frequentemente buscam centros de convenções ou espaços de coworking equipados para apresentações, em vez de recorrer a hotéis. A principal razão apontada é a percepção predominante de que hotéis são, antes de tudo, locais de hospedagem.

Muitos empreendimentos hoteleiros dispõem de infraestrutura adequada, boa localização e serviços compatíveis com demandas de eventos, mas não conseguem ocupar a mente do público corporativo por falta de posicionamento institucional e comunicação direcionada.

Na prática, a oferta de espaços para eventos costuma aparecer como serviço complementar nas operações hoteleiras. Falta uma estratégia clara para disputar a condição de realizador de eventos: material comercial específico, argumentos de venda voltados ao mercado corporativo e mensagens que destaquem propostas além de um simples auditório.

Além da comunicação, outro ponto crítico é a especialização da equipe. A área Comercial do hotel precisa contar com profissionais focados em eventos, pois a negociação envolve ouvir o cliente, diagnosticar necessidades e montar propostas personalizadas. Esse atendimento diferenciado é o que separa a oferta de um espaço da entrega de uma solução completa.

Organizadores buscam soluções integradas que diminuam deslocamentos e facilitem a logística, reunindo hospedagem, alimentação e programação em um único local, além de proporcionar boa experiência aos participantes e simplificar a gestão para quem contrata.

Imagem: Imagem Divulgação

Para hotéis que já têm estrutura adequada, o caminho sugerido é reposicionar-se como ecossistema de eventos, comunicar-se de forma mais intensa com o mercado corporativo e preparar material de venda direcionado. Sem esses ajustes, estabelecimentos competitivos em infraestrutura podem continuar perdendo oportunidades por falta de especialização comercial.

Uma indicação prática para quem deseja avançar rapidamente: conforme a DataEventos, os meses com maior demanda por orçamentos de eventos corporativos em 2026 são abril (14,8%), maio (9,1%), junho (4,5%) e agosto (3,2%), números que contemplam também eventos esportivos e comemorativos. A janela de oportunidade está aberta para hotéis que se reposicionarem agora e buscarem entrar no radar dos organizadores.

Tiago Ferreira é fundador e CEO da MeEventos.

Com informações de Portalradar

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