Alfabetização em IA pode criar nova forma de desigualdade digital, diz estudo
Pesquisadores da Hong Kong Baptist University alertaram que a diferença no domínio de conceitos e ferramentas de inteligência artificial pode originar uma nova desigualdade digital, distinta da mera falta de acesso à internet. A conclusão consta de um estudo divulgado em abril na revista Information, Communication & Society, baseado em dados do Pew Research Center coletados com mais de 10 mil adultos nos Estados Unidos.
Os autores analisaram a capacidade de diferentes grupos em identificar e compreender sistemas baseados em IA — como filtros de spam, sistemas de recomendação, assistentes virtuais e chatbots — e concluíram que indivíduos com renda e escolaridade mais altas tendem a reconhecer e lidar melhor com essas tecnologias. Em contrapartida, participantes de menor renda e nível educativo demonstraram menos familiaridade com aplicações rotineiras que utilizam IA.
Principais achados
O estudo destaca que a desigualdade proposta não se limita ao acesso a dispositivos ou conexão, mas também à capacidade de entender o funcionamento e os impactos das ferramentas automatizadas. Segundo os pesquisadores, essa diferença de letramento em IA pode, por exemplo, dificultar que pessoas reconheçam vídeos gerados por deepfakes e, por consequência, se protejam de desinformação.
Os autores alertam que a expansão rápida da IA em setores como educação, trabalho e comunicação pode amplificar disparidades sociais, educacionais e profissionais caso políticas públicas e programas de inclusão não acompanhem o ritmo da adoção tecnológica.
Recomendações
Como resposta, o estudo recomenda que governos, escolas e empresas invistam em programas de educação tecnológica centrados na compreensão da inteligência artificial. Os pesquisadores defendem que desenvolver habilidades relacionadas à IA se torne uma prioridade comparável à alfabetização digital promovida nas últimas décadas, para evitar que parte da população fique em desvantagem num cenário cada vez mais dependente de sistemas automatizados.
Imagem: Shutterstock
Os resultados apresentados no artigo utilizam informações coletadas em dezembro de 2022, antes do avanço mais recente das inteligências artificiais na vida cotidiana, e servem como indicador de uma tendência que, segundo os autores, merece atenção de formuladores de políticas e instituições educacionais.
Com informações de Olhardigital